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Artistas criam Memorial Kathlen Romeu para homenagear grávida morta em comunidade do Lins 13/06/2021
 
 
 
Artistas criam Memorial Kathlen Romeu para homenagear grávida morta em comunidade do Lins
A jovem de 24 anos estava grávida de 4 meses quando morreu ao ser atingida por uma bala perdida, durante tiroteio entre PMs e criminosos. Além do memorial, vários grafites serão feitos no Complexo do Lins nesse domingo (13).

Artistas e amigos de Kathlen Romeu, de 24 anos, morta em um tiroteio no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio na terça-feira (8), vão construir um memorial na comunidade em homenagem a jovem vítima da violência na cidade.

Kathlen estava grávida de quatro meses quando foi atingida por um tiro de fuzil no tórax. A jovem, que trabalhava como designer de interiores e vendedora, estava com a avó materna, Sayonara Fátima, no momento do tiroteio. As duas iam visitar uma tia de Kathlen.

Além do memorial, localizado ao lado da Escola de Samba Unidos do Cabuçu, vários grafites serão feitos no Complexo do Lins nesse domingo (13).

O que se sabe sobre a morte de Kathlen
A designer de interiores Kathlen Romeu havia se mudado da região do Lins no fim de abril, por medo da violência no local. Segundo o pai dela, os tiroteios são frequentes.

"Noventa e nove por cento da comunidade são pessoas de bem. A mesma operação que tem constantemente na nossa área na Zona Sul não tem. Eu tirei ela de lá por causa da violência. Minha filha era a coisa mais especial da minha vida. Uma pessoa do bem, inteligente", disse Luciano Gonçalves.
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De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal, ela levou um tiro de fuzil no tórax. A PM negou que estivesse numa operação e alegou que agentes foram atacados. Mas a família de Kathlen contestou essa versão, dizendo que não houve troca de tiros e que os disparos partiram da polícia. "Se a minha filha fosse morta por bandido, eu não falaria nada com vocês. Foi a polícia que matou a minha filha", afirmou a mãe da jovem.

O porta-voz da PM, major Ivan Blaz, disse que a facção responsável pelo tiroteio no Lins é a mesma que atua na Providência, no Jacarezinho e no Prazeres “e que tem, por natureza, por ideologia, o ataque gratuito às forças policiais, o uso dos moradores como escudo humano”.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil e pela Polícia Militar. Foram apreendidos 12 fuzis e nove pistolas da PM usadas no confronto.

Cinco dos 12 policiais militares que participaram da ação já foram ouvidos no inquérito.

 
Fonte: Redação JIA
 
 
Santo Antônio: há 790 anos, morria, na Itália, o frade português que se tornou o santo mais popular do Brasil 13/06/2021
 
 
 
Santo Antônio: há 790 anos, morria, na Itália, o frade português que se tornou o santo mais popular do Brasil
Para muitos, é santo casamenteiro, para os devotos católicos, é um santo milagroso, daqueles mais eficientes na intercessão junto a Deus

Para muitos, é santo casamenteiro — folclore e tradições populares são pródigos em reservar a ele toda sorte de simpatias para trazer, para sempre enquanto dure, aquele amor perfeito. Para os devotos católicos, é um santo milagroso, daqueles mais eficientes na intercessão junto a Deus. Para a Igreja, é a figura que detém o recorde da canonização mais rápida da história. Para a historiografia, foi um homem notável do seu tempo: intelectual, o frade circulou por parte considerável da Europa do século 13 e ajudou a consolidar o papel dos franciscanos, cuja ordem havia acabado de ser fundada.

Este personagem é Santo Antônio de Pádua — assim chamado por aqueles que preferem enfatizar o auge de sua vida. Ou Santo Antônio de Lisboa — como preferem sobretudo os portugueses, enaltecendo suas raízes

Se muito de sua vida, oito séculos mais tarde, se mistura com lendas, relatos extraordinários e fé religiosa, fato certo e comprovado é que o frade franciscano morreu há exatos 790 anos, em uma sexta-feira, 13 de junho de 1231.

"Ele era um homem bastante erudito mas, mesmo assim, mesmo muito ortodoxo em sua postura de combate às heresias, ele foi acometido dessa aura de um taumaturgo, alguém que tinha habilidade de manipular os poderes da natureza", contextualiza à BBC News Brasil o historiador, filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Com o passar do tempo, várias camadas narrativas foram sendo colocadas neste homem. A história dos santos é muito recheada dessas narrativas que vão sendo acrescentadas, somadas, transformando aquilo num ícone."

Em terras brasileiras, a devoção antoniana ganhou seu próprio sotaque. O sincretismo fez dele uma figura simpática a outras religiões fora do catolicismo. E o folclore garantiu ao santo lugar de honra, seja na hora de pendurar sua imagem de cabeça para baixo até que um namorado dos sonhos apareça, seja em formatos de orações característicos, como a trezena — treze dias de rezas dedicadas a ele ou no considerado infalível "responso", cujo texto original é atribuído a um frade italiano chamado Giuliano da Spira, que viveu no século 13 e teria escrito a oração dois anos após a morte do santo.

No "Dicionário do Folclore Brasileiro", o sociólogo, antropólogo e historiador Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) registrou uma das tantas versões da oração, originalmente em latim, no português coloquial. "Quem milhares quer achar/ Contra os males e o demônio/ Busque logo a Santo Antônio/ Que só o há de encontrar", dizem os primeiros versos.

"Seu nome batiza igrejas, ruas e continua sendo um dos mais escolhidos para menino, em Portugal e Brasil", aponta Cascudo. "Rara será a cidade, vila ou povoado sem uma rua de Santo Antônio ou uma igreja de Santo Antônio, em todas as terras do idioma português."

Em 2019, um sacerdote italiano que atuava na cidade de Pádua comentou informalmente com este repórter que a fama de Antônio junto aos fiéis, em especial os brasileiros, advém desta maneira simples e brejeira como se desenvolveu a relação de fé com ele — entre simpatias que mais parecem travessuras. "Essas coisas, para quem vê de fora, podem parecer heresia ou falta de respeito. Mas, na verdade, aproximam o santo do povo. É como se ele não estivesse no altar, inacessível e distante, mas preferisse se sentar no banco da igreja, ao lado do fiel, como um amigo, um companheiro, alguém de confiança", filosofou o religioso.

"No Brasil, a religião nunca foi austera, sempre foi uma religiosidade com "No Brasil, a religião nunca foi austera, sempre foi uma religiosidade com características populares", completa Moraes. "A religião no Brasil se desenvolveu muito nessa coisa da proximidade, da relação quase desrespeitosa com o sagrado, mas ao mesmo tempo muito íntima."

Autor do livro "Santo Antônio: Por Onde Passa, Entusiasma", o vaticanista italiano Domenico Agasso Jr. concorda que chama a atenção o fato de a figura de Santo Antônio, ainda no século 21, conservar grande relevância. "A primeira razão reside sobretudo no fato de ele não ter sido um menino "santo", mas sim ter passado por uma transformação interior e exterior na juventude — e isso o coloca como uma mostra de que Deus é acessível a todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares", comenta ele, à BBC News Brasil.

"São muitos os que contam que graças a Antônio compreenderam uma coisa fundamental: só por meio da caridade podemos viver verdadeiramente na alegria", prossegue ele. "É por isso que Antonio ainda é muito amado. É uma presença que continua a gerar alegria. As pessoas sentem que ele é um pai, uma referência acolhedora e encorajadora, uma fonte inesgotável de esperança contra a resignação, o desespero, os medos."

A seguir, cinco curiosidades sobre este religioso cuja fama transcende o catolicismo.

1. Ele não morreu em Pádua, mas em Capo di Ponte
De acordo com relatos de seus contemporâneos, Antônio sofria de um quadro de hidropisia, ou seja, acúmulo de fluidos corporais. Na antiguidade, costumavam serem diagnosticados assim muitos distúrbios de circulação sanguínea — e o quadro, sabe-se hoje, é causa de edemas generalizados e pode acarretar insuficiência cardíaca congestiva.

Antônio era um homem na faixa dos 40 anos — há dúvidas sobre sua data de nascimento —, mas a condição de saúde associada à rotina de peregrinações, jejuns e penitência faziam-no parecer mais velho. Cansado depois de uma intensa quaresma naquele ano, ele havia solicitado, em maio, um período de descanso a seus superiores.

Em 19 de maio de 1231, recolheu-se então na propriedade de um nobre da região, conde Tiso VI (?-1234), em Camposampiero, a 20 quilômetros de Pádua, no norte da Itália, onde vivia.

Conforme conta a primeira crônica biográfica sobre o santo, publicada pela Ordem dos Frades Menores em 1232, "Beati Antonii Vita Prima", ele parecia muito fraco naquela manhã de 13 de junho e desmaiou. Foi acomodado em uma cama rudimentar, de palha. Quando recobrou a consciência, pediu que o levassem de volta a Pádua, onde teria a assistência de irmãos religiosos.

Foi colocado então sobre um carro de boi. No caminho, contudo, com o frade visivelmente agonizando, os que o acompanhavam no traslado decidiram parar em um convento localizado em um pequeno burgo, na época chamado de Capo di Ponte — hoje, bairro de Arcella, no subúrbio de Pádua.

E foi ali, numa cela da pequena casa religiosa, que o santo morreu. Só depois foi levado para a Pádua que se tornaria famosa por conta dele.

Depois de atuar em diversas cidades — há registros comprovados de sua passagem por 37 localidades, hoje pertencentes a nações como Portugal, Espanha, Marrocos, Itália e França, mas é altamente provável que suas andanças como pregador tenham chegado a locais nas atuais Alemanha, Suíça, Eslovênia e Áustria —, foi no ano anterior à sua morte que Antônio decidiu resignar ao posto de provincial dos franciscanos em Milão e escolheu Pádua para viver.

Mesmo a cidade italiana, hoje com 211 mil habitantes, tendo sido endereço em algum momento inúmeros personalidades de vulto, como Nicolau Copérnico (1473-1543), Cristóvão Colombo (1451-1506) e Galileu Galilei (1564-1506), é inegável que a maior parte dos turistas que a visitam atualmente estão em busca de Santo Antônio — ou, como se diz por lá, simplesmente Il Santo, "O Santo".

2. Ele não nasceu em 1195, como a tradição acabou consagrando

Não há um consenso sobre a data exata de nascimento de Santo Antônio. A tradição católica havia consagrado o dia 15 de agosto de 1195. Hoje, especialistas concordam que o dia tenha sido inventando em algum momento, intencionalmente no mesmo 15 de agosto que a Igreja celebra a festa da Assunção de Nossa Senhora.

No seu livro "Santo Antônio: Vida, Milagres, Culto", Frei Basílio — cujo nome civil era Hugo Röwer (1877-1958) — escreveu que "a circunstância de ter nascido no dia festivo da Assunção de Nossa Senhora foi o presságio de sua terna devoção à Maria Santíssima, cuja Assunção gloriosa ao céu iria mais tarde pregar nos seus sermões e com cujo hino nos lábios iria transportar o limiar da eternidade". Já o frade português Fernando Félix Lopes, em seu "Santo António de Lisboa: Doutor Evangélico", adota o ceticismo mais compatível com o que se entende como verdade atualmente: "eu diria que foi o povo quem imaginou a data de modo tão preciso", pontuou, consciente da precária documentação existente.

Em 1981, durante as celebrações pelos 750 anos de sua morte, o Vaticano autorizou que seus restos mortais, sepultados na basílica a ele dedicada em Pádua, fossem exumados para análise científica. Exames antropométricos foram então realizados, por uma junta de pesquisadores, alguns ligados à Santa Sé, outros vinculados à Universidade de Pádua. A principal conclusão: o material era compatível com um homem de mais de 40 anos.

Seus biógrafos passaram então a situar seu nascimento como tendo sido provavelmente em 1188. Isto tornaria compatíveis com a realidade diversas datas sobre as quais há registros em sua vida, como seus ingressos às ordens religiosas — primeiro, ele foi agostiniano; depois, franciscano — e sua ordenação sacerdotal. Se for admitido o nascimento em 1195, é preciso crer nele um prodígio capaz de ter abreviado etapas de estudo, galgando degraus em idade inferior ao usual para a época.

As incertezas, contudo, persistem até em locais onde essas informações poderiam dirimir dúvidas. Inaugurado em 2014 no centro de Lisboa, o Museu de Lisboa: Santo Antônio afirma, no site, que o religioso nasceu em 1195, embora admita que o 15 de agosto tenha sido uma tradição, possivelmente criada no século 17. Em letreiro afixado no memorial, por outro lado, a instituição diz que Antônio veio ao mundo em 1191.

Em 2014, novos estudos científicos foram realizados nos restos mortais de Antônio, por pesquisadores do Museu de Antropologia da Universidade de Pádua, em parceria com o Centro de Estudos Antonianos e com o grupo Arc-Team Open Research. O designer brasileiro Cícero Moraes foi encarregado de fazer, por computação gráfica, a reconstituição facial tridimensional fidedigna do santo. Mais uma vez, a confirmação: tratava-se de um homem de mais de 40 anos.

O que não há dúvidas, contudo, é que seu nome de batismo era Fernando, e não Antônio. Muito provavelmente, a julgar inclusive por ter tido acesso a estudos básicos em uma época de parcos escolarizados, filho de uma família importante da sociedade lisboeta da época. Diversos pesquisadores concordam que seu nome completo era Fernando Martins de Bulhões e Taveira de Azevedo.

Quando decidiu ingressar para a vida religiosa, Fernando buscou o Mosteiro de São Vicente de Fora, mantido pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho. Sua entrada para o convento está nos registros históricos da instituição devidamente preservados pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo. "Em 1210, professou em São Vicente aquele que viria a ser Santo Antônio de Lisboa", afirma o verbete.

A vida junto aos agostinianos foi o que conferiu erudição ao jovem religioso. Teve acessos a livros e ensino não só de teologia e doutrina católica, mas também de história, astronomia, medicina, matemática, retórica e letras jurídicas.

Insatisfeito com as limitações do convento, Fernando solicitou transferência para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra — o que aconteceu entre o fim de 1211 e início de 1212. Trata-se da mais antiga casa agostiniana de Portugal, fundada em 1131. E ficava na cidade que era então a capital de Portugal.

"Ele era de origem nobre, e [tornou-se] um intelectual bem preparado. Era professor de teologia. Vivia como Fernando em um mosteiro […] onde o estudo e a ciência eram prioridades. Mas ficou impressionado com a vida dos seguidores de Francisco de Assis, e ao se tornar franciscano, atraído pela simplicidade, revelou-se em uma tal humildade que, no começo, nem os confrades desconfiaram do grande intelectual que estava no meio deles", conta à BBC News Brasil o teólogo Luiz Carlos Susin, professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana.

Esta mudança para a Ordem dos Frades Menores, ou seja, a transformação de agostiniano em franciscano, ocorreu em algum momento entre junho e agosto de 1220. Em um sinal de que deixava a vida pregressa para trás, Fernando assumiu nova identidade. Escolheu Antônio.

O nome tinha motivos, é claro. O eremitério franciscano em Coimbra, local hoje ocupado pela Igreja de Santo Antônio dos Olivais, era chamado de Santo Antão — em sua forma latina, Antonius. Santo Antão do Deserto (251-356), conhecido como "pai de todos os monges", foi um religioso considerado pela Igreja como o precursor da vida monástica. Assim, Antônio homenageava também, de certa forma, os agostinianos que deixava para trás, já que Santo Agostinho bebeu na fonte de Antão ao criar sua regra monástica.

O relato "Beati Antonii Vita Prima" explica de forma poética esse momento. "Assim foi o próprio Antônio em pessoa, que, substituído o vocábulo, se impôs o nome e com ele, por um feliz presságio, designou qual havia de ser o arauto da palavra de Deus", afirma o texto. "Antônio, pois significa por assim dizer aquele que atroa os ares. E na realidade a sua voz, qual trombeta portentosa, quando expressava entre os doutos a Sabedoria oculta no mistério de Deus, proclamava com ênfase tais e tão profundas verdades das Escrituras, que mesmo, e nem sempre, o exegeta poderia compreender a eloquência da sua pregação."

3. Nenhum dos 53 milagres de sua canonização tem a ver com casamento

Nem bem foi sepultado em Pádua, no dia 17 de junho de 1231, começaram a pipocar pela região relatos de milagres atribuídos à intercessão daquele que já era chamado de santo ainda em vida. Seu túmulo começou a atrair devotos e pagadores de promessa.

Menos de um mês após sua morte, o bispo Jacopo Corrado (?-1239) solicitou ao papa Gregorio IX (1170-1241) que abrisse um processo para canonizar o frade. Admirador dos franciscanos, o sumo pontífice, que havia conhecido Antônio em vida, aceitou. Mas houve uma resistência na cúpula da Igreja.

O maior problema seria canonizar, quase que sequencialmente, dois frades franciscanos — além de tudo, uma ordem fundada há tão pouco tempo, em 1209. Francisco de Assis (1181 ou 1182-1226) havia sido oficializado santo, pelo mesmo papa Gregório IX, em 1228.

A celeuma político-clerical foi contornada com um apelo popular materializado em enxurrada de histórias de milagres. Em uma época em que os processos de canonização careciam das padronizações metodológicas hoje existentes, o papa mandou criar duas comissões: em Pádua, conferiu poderes ao bispo Corrado e aos superiores dos beneditinos e dos dominicanos para que reunissem casos milagrosos e examinassem as pessoas que se diziam curadas; em Roma, designou dois cardeais para analisarem os relatórios.

A esses esforços foram juntados documentos produzidos por dois cardeais que, em visita à região de Milão, também coletaram narrativas de prodígios ocorridos, de acordo com a fé popular, graças a Antônio.

O documento que serviu para justificar sua canonização acabou reunindo, depois desses crivos, 53 milagres atribuídos a sua intercessão. A grande maioria dizia respeito a problemas de saúde, de paralisias a surdez, passando pela fantástica história de uma menina que teria morrido afogada e voltado a viver. Alguns dos casos listados, contudo, são mais prosaicos — como o de uma taça de vidro atirada contra a parede — apenas para testar o poder do santo — que não teria se quebrado e de tripulantes de um barco à deriva que, em meio a uma tempestade, fiaram-se em Santo Antônio para reencontrar o caminho de volta.

Em 30 de maio de 1232, menos de um ano após a morte do franciscano, papa Gregório IX anunciou que Antônio já podia ser eternizado no rol dos santos da Igreja. "Em honra e louvor à Santíssima Trindade e para exaltação da santa Igreja, inscrevemos o servo de Deus, Frei Antônio, confessor da Ordem dos Frades Menores, no catálogo dos santos, e ordenamos que a sua festa seja celebrada todos os anos em 13 de junho", declarou o pontífice.

Em 13 de junho daquele ano, a missa do primeiro aniversário da morte dele foi especial para a cidade de Pádua: não só ele podia ser chamado de santo, como foi lançada ali a pedra fundamental da construção do santuário a ele dedicado: é a base da mesma construção atual, oficialmente Pontifícia Basílica Menor de Santo Antônio de Pádua — que seria concluída apenas em 1310 e, com o passar dos séculos, passou por várias reformas e modificações.

Mas se nenhum dos milagres compilados pelo Vaticano tratava de casamento, de onde veio essa fama? Para hagiógrafos, há algumas explicações. A primeira é que, ainda em vida, ele teria sido um grande opositor dos casamentos combinados por interesse entre famílias, o que ele chamava de mercantilização do sacramento — defendia que os casais fossem formados por amor.

Há ainda uma versão, com contornos de lenda, de que ele teria desviado, certa vez, donativos recebidos pela Igreja, para ajudar uma moça a conseguir dinheiro suficiente para o dote que era necessário ao seu casamento.

"Ele é arranjador de bons casamentos somente em alguns países. Na maior parte dos países europeus e nos Estados Unidos, o santo dos namorados é São Valentim", lembra o teólogo Susin. "Na biografia de Santo Antônio e nas lendas medievais não há nada que su gira esse título. Mais tarde, porém, o santo de Lisboa e Pádua substituiu, nas lendas populares, o deus romano Mercúrio como o mensageiro de boas notícias, o portador e o intérprete de boas encomendas."

"Na Itália e em alguns países latinos esta permanece sua qualidade especial", prossegue. "Talvez o fato de Antônio levar a Palavra de Deus para o povo como boa notícia, e o povo procurar sua palavra, seja a origem do santo que acha o que foi perdido, que acha o que é difícil, e acerta no amor."

4. Embora fosse contra as armas, acabou virando militar — postumamente

Desde as mais antigas biografias, há ênfase no fato de que Antônio era contrário às armas e qualquer postura bélica. Quando jovem, seu pai teria tentado demovê-lo da ideia de se tornar padre — e a alternativa era que o filho se tornasse militar.

Aos 15 anos, por ordens paternas, o então menino Fernando teria estudado cavalaria e esgrima, mas nunca demonstrou muita aptidão para isso. Já como sacerdote, em diversos sermões defendeu que as Cruzadas ocorrem pelo diálogo, que o convencimento e a conversão fossem resultantes da argumentação, nunca das armas.

Contudo, como em casos de guerra é o santo de casa que faz milagre, é o santo de casa que luta do lado nacional, nos séculos seguintes à sua morte, Antônio passou a ser requisitado por soldados portugueses. As primeiras referências do santo sendo considerado militar no exército português datam de 1623. Durante o reinado de Afonso VI (1643-1683), em batalhas contra o domínio de Castela, ficou determinado que Antônio fosse "alistado no exército, como seu patrono" e "assentasse praça como soldado".

A ideia era dar ânimo aos soldados de carne e osso. E, ao mesmo tempo, esses salários funcionavam como verba oficial para algum convento — que ficava com o dinheiro. A partir de então, Antônio passou a galgar posições dentro das forças portuguesas, com direito a novos postos e sucessivos aumentos de salário.

Em 1777, o então comandante do Regimento de Lagos escreveu à rainha Maria I (1734-1816) uma carta bastante curiosa pedindo melhor patente ao santo. "Durante todo o tempo em que tem sido capitão, vai para quase cem anos, constantemente cumpriu seu dever com maior prazer à frente de sua companhia, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem-número, como eles todos estão pontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial", argumentou ele, dizendo que o capitão Antônio era "muito digno e merecedor do posto de major", ressaltando que não havia nos registros nada relativo a "mau comportamento ou irregularidade praticada por ele".

No Brasil, o santo teve cargos em diversas corporações desde os tempos coloniais. Em 1595, seu primeiro posto foi como soldado, na Bahia. A explicação é contada pelo historiador José Carlos de Macedo Soares, no livro "Santo Antonio de Lisboa, Militar no Brasil": uma imagem do santo teria protegido portugueses em um episódio envolvendo uma frota holandesa que pretendia invadir a costa brasileira. A partir de então, o santo passou a ganhar salário de soldado naquela região.

Histórias do tipo foram se somando. Há indícios de que só na Bahia tenham sido quatro salários simultâneos. Quando assumiu a capitania de Pernambuco, em 1685, João da Cunha Souto Maior também determinou que Santo Antônio se tornasse soldado — o convento de Olinda tornou-se beneficiário dos vencimentos.

Há relatos de Santo Antônio militar na Paraíba, no Rio e no Espírito Santo. Em São Paulo chegou a coronel, maior patente de sua carreira no país, conforme está manuscrito na página 154 o livro 17 do Arquivo do Estado. O texto, assinado pelo então governador Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão (1722-1798) em 5 de janeiro de 1767 justifica que o gesto é "para aumento da devoção do mesmo santo e à imitação do que se tem praticado nas mais capitanias deste Brasil".

Com a transferência da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, essas nomeações passaram a se tornar mais abrangentes. Em 1810, o então príncipe-regente João VI (1767-1826) fez do religioso sargento-mor de todo o exército luso-brasileiro. Em 1813, o santo foi promovido para tenente-coronel de infantaria — os salários eram repassados aos franciscanos do convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro.

A proclamação da República, em 1889, com a oficial separação entre Igreja e Estado, seria o ponto final na bem-sucedida carreira antoniana no exército nacional. Mas o processo não foi imediato. Conforme jornais da época, a legitimidade do holerite de Santo Antônio foi discutida ainda na primeira gestão. Em outubro de 1890, o então ministro da Guerra, Floriano Peixoto (1839-1895), determinou que não fosse anulado o decreto de 1814. "Deferindo a reclamação pelo provincial dos franciscanos, […], vos declaro, enquanto por ato especial não for anulado, o decreto de 26 de julho de 1814, que conferiu a patente de tenente-coronel de infantaria à imagem de Santo Antônio do Rio de Janeiro, deve continuar a pagar-se o soldo a que tem direito", diz trecho do documento.

Em 1907, o delegado fiscal do Tesouro Nacional, que por um capricho do destino se chamava Antônio de Pádua Mamede, finalmente retirou Santo Antônio das folhas de pagamento. "Não é lícito que a nação continue a pagar aquele soldo […] concorrendo-se, assim, para conservar a crendice que teve o príncipe regente ao expedir aquelas patentes", justificou.

Mesmo assim, foram cinco anos de idas e vindas até que essa decisão fosse aprovada pelo ministério da Fazenda. A identidade do ministro, aliás, também guardava irônica coincidência: coube a Francisco Antônio de Sales (1863-1933) registrar, na folha 21 do livro 486 da então Diretoria de Contabilidade da Guerra a extinção dos holerites antonianos.

Só que suas patentes não foram revogadas, mesmo sem salário. Em 1924, o presidente Artur Bernardes (1875-1955) cobrou providências ao ministro da Guerra. "O coronel Antônio de Pádua vai quase em três séculos de serviço. Nomeio-o general e ponha-o na reserva", escreveu, em carta. A partir de então, Santo Antônio passou para a reserva.

5. Ele foi "adotado" pelos brasileiros, por causa dos franciscanos portugueses

Muitos apontam Santo Antônio como o mais populares entre os altares brasileiros. Em 1995, a instituição Associação do Senhor Jesus realizou pesquisa entre católicos praticantes para saber quais são os de maior predileção. Antônio apareceu no topo do ranking, com 20% das respostas — 4 mil pessoas foram ouvidas.

Entre pesquisadores, é unânime a explicação de que a devoção ao santo ganhou popularidade no Brasil por conta da colonização portuguesa. E é altamente provável que a primeira imagem de Antônio tenha sido trazida já pela frota de Pedro Álvares Cabral (1467-1520), em 22 de abril de 1500. Na esquadra, estavam oito frades franciscanos, entre eles Henrique Soares de Coimbra (1465-1532), celebrante da primeira missa em solo brasileiro.

Eram franciscanos como Santo Antônio. Eram portugueses como Santo Antônio. Eram devotos de Santo Antônio. Nas décadas seguintes, conventos franciscanos começaram a se espalhar pela colônia. "De certo modo, todo este histórico contribuiu para a difusão do Santo. Independentemente dos religiosos que nos catequizaram, tem o fato de Santo Antônio ser português e isto era muito motivo de orgulho ao colonizador", diz à BBC News Brasil o pesquisador José Luís Lira, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia.

E sua fama acabou se difundindo pelo Brasil. "A figura do santo casamenteiro, do santo das coisas perdidas, suas pregações", prossegue Lira. "Somando-se a tudo isso, vieram as festas juninas que, embora trazidas pelo colonizador, aqui assumiram conotação própria. Todos esses fatores, mais a presença ininterrupta dos franciscanos no Brasil, contribuíram, em muito, para que Santo Antônio se tornasse um dos santos mais amados e populares."

"Os franciscanos sempre foram muito importantes no Brasil. Depois da expulsão dos jesuítas, no século 18, se tornaram a ordem religiosa mais influente no país. Era natural que difundissem a devoção a um dos seus maiores santos, que além de tudo era português", acrescenta à BBC News Brasil o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Por outro lado, Antônio, mesmo entre os franciscanos, é um santo particularmente próximo a São Francisco de Assis. Ambos se voltam para os pobres e desvalidos, falam com animais, são modelos de vida na pobreza."

"O povo procura santos que sejam próximos às pessoas e a humildade e o apego à pobreza são considerados sinais inconfundíveis dessa proximidade. Sua fama de casamenteiro ilumina essa devoção. A jovem aflita pede ao santo aquilo que é a definição mais importante de sua vida", diz o sociólogo. "Para os adultos pragmáticos, trata-se de um pedido e de uma insegurança até pueril. A jovem casamenteira é até ridicularizada na tradição popular. Santo Antônio é, portanto, o santo suficientemente poderoso para interceder pelo desejo mais importante da vida, e suficientemente humilde e atencioso para receber aquele pedido que pode parecer pueril e até envergonhado."

"No Brasil, tornou-se um santo muito popular, muito amado, muito aclamado. Veja a quantidade de pessoas no Brasil que se chamam Antônio e a quantidade de cidades que têm o nome de Santo Antônio", atenta Moraes.

Trinta e oito municípios brasileiros têm seus nomes em alusão ao santo. Há a cidade de Santo Antônio, no Rio Grande do Norte, ou variações como Santo Antônio do Içá, no Amazonas, ou Santo Antônio do Pinhal, em São Paulo. E duas Novo Santo Antônio, uma no Mato Grosso, outra no Piauí.

Para o frade franciscano Diogo Luís Fuitem, diretor da revista Mensageiro de S. Antônio e autor do livro "Antônio: O Santo do Povo", o santo caiu no "gosto popular" do Brasil porque sua mensagem conseguiu "cativar a todos". "Santo casamenteiro", "santo milagreiro", "restituidor de coisas perdidas…", elenca ele, à BBC News Brasil. "Esses títulos mostram que ele conseguiu se identificar com o povo necessitado de orientação e de amparo. [Antônio,] em sua breve vida, foi um reflexo da presença de Deus."

*O jornalista é autor do livro-reportagem "Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil" (Editora Planeta, 2021).

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Fonte: Redação JIA
 
 
Santo Antônio: há 790 anos, morria, na Itália, o frade português que se tornou o santo mais popular do Brasil 13/06/2021
 
 
 
Santo Antônio: há 790 anos, morria, na Itália, o frade português que se tornou o santo mais popular do Brasil
Para muitos, é santo casamenteiro, para os devotos católicos, é um santo milagroso, daqueles mais eficientes na intercessão junto a Deus

Para muitos, é santo casamenteiro — folclore e tradições populares são pródigos em reservar a ele toda sorte de simpatias para trazer, para sempre enquanto dure, aquele amor perfeito. Para os devotos católicos, é um santo milagroso, daqueles mais eficientes na intercessão junto a Deus. Para a Igreja, é a figura que detém o recorde da canonização mais rápida da história. Para a historiografia, foi um homem notável do seu tempo: intelectual, o frade circulou por parte considerável da Europa do século 13 e ajudou a consolidar o papel dos franciscanos, cuja ordem havia acabado de ser fundada.

Este personagem é Santo Antônio de Pádua — assim chamado por aqueles que preferem enfatizar o auge de sua vida. Ou Santo Antônio de Lisboa — como preferem sobretudo os portugueses, enaltecendo suas raízes

Se muito de sua vida, oito séculos mais tarde, se mistura com lendas, relatos extraordinários e fé religiosa, fato certo e comprovado é que o frade franciscano morreu há exatos 790 anos, em uma sexta-feira, 13 de junho de 1231.

"Ele era um homem bastante erudito mas, mesmo assim, mesmo muito ortodoxo em sua postura de combate às heresias, ele foi acometido dessa aura de um taumaturgo, alguém que tinha habilidade de manipular os poderes da natureza", contextualiza à BBC News Brasil o historiador, filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Com o passar do tempo, várias camadas narrativas foram sendo colocadas neste homem. A história dos santos é muito recheada dessas narrativas que vão sendo acrescentadas, somadas, transformando aquilo num ícone."

Em terras brasileiras, a devoção antoniana ganhou seu próprio sotaque. O sincretismo fez dele uma figura simpática a outras religiões fora do catolicismo. E o folclore garantiu ao santo lugar de honra, seja na hora de pendurar sua imagem de cabeça para baixo até que um namorado dos sonhos apareça, seja em formatos de orações característicos, como a trezena — treze dias de rezas dedicadas a ele ou no considerado infalível "responso", cujo texto original é atribuído a um frade italiano chamado Giuliano da Spira, que viveu no século 13 e teria escrito a oração dois anos após a morte do santo.

No "Dicionário do Folclore Brasileiro", o sociólogo, antropólogo e historiador Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) registrou uma das tantas versões da oração, originalmente em latim, no português coloquial. "Quem milhares quer achar/ Contra os males e o demônio/ Busque logo a Santo Antônio/ Que só o há de encontrar", dizem os primeiros versos.

"Seu nome batiza igrejas, ruas e continua sendo um dos mais escolhidos para menino, em Portugal e Brasil", aponta Cascudo. "Rara será a cidade, vila ou povoado sem uma rua de Santo Antônio ou uma igreja de Santo Antônio, em todas as terras do idioma português."

Em 2019, um sacerdote italiano que atuava na cidade de Pádua comentou informalmente com este repórter que a fama de Antônio junto aos fiéis, em especial os brasileiros, advém desta maneira simples e brejeira como se desenvolveu a relação de fé com ele — entre simpatias que mais parecem travessuras. "Essas coisas, para quem vê de fora, podem parecer heresia ou falta de respeito. Mas, na verdade, aproximam o santo do povo. É como se ele não estivesse no altar, inacessível e distante, mas preferisse se sentar no banco da igreja, ao lado do fiel, como um amigo, um companheiro, alguém de confiança", filosofou o religioso.

"No Brasil, a religião nunca foi austera, sempre foi uma religiosidade com "No Brasil, a religião nunca foi austera, sempre foi uma religiosidade com características populares", completa Moraes. "A religião no Brasil se desenvolveu muito nessa coisa da proximidade, da relação quase desrespeitosa com o sagrado, mas ao mesmo tempo muito íntima."

Autor do livro "Santo Antônio: Por Onde Passa, Entusiasma", o vaticanista italiano Domenico Agasso Jr. concorda que chama a atenção o fato de a figura de Santo Antônio, ainda no século 21, conservar grande relevância. "A primeira razão reside sobretudo no fato de ele não ter sido um menino "santo", mas sim ter passado por uma transformação interior e exterior na juventude — e isso o coloca como uma mostra de que Deus é acessível a todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares", comenta ele, à BBC News Brasil.

"São muitos os que contam que graças a Antônio compreenderam uma coisa fundamental: só por meio da caridade podemos viver verdadeiramente na alegria", prossegue ele. "É por isso que Antonio ainda é muito amado. É uma presença que continua a gerar alegria. As pessoas sentem que ele é um pai, uma referência acolhedora e encorajadora, uma fonte inesgotável de esperança contra a resignação, o desespero, os medos."

A seguir, cinco curiosidades sobre este religioso cuja fama transcende o catolicismo.

1. Ele não morreu em Pádua, mas em Capo di Ponte
De acordo com relatos de seus contemporâneos, Antônio sofria de um quadro de hidropisia, ou seja, acúmulo de fluidos corporais. Na antiguidade, costumavam serem diagnosticados assim muitos distúrbios de circulação sanguínea — e o quadro, sabe-se hoje, é causa de edemas generalizados e pode acarretar insuficiência cardíaca congestiva.

Antônio era um homem na faixa dos 40 anos — há dúvidas sobre sua data de nascimento —, mas a condição de saúde associada à rotina de peregrinações, jejuns e penitência faziam-no parecer mais velho. Cansado depois de uma intensa quaresma naquele ano, ele havia solicitado, em maio, um período de descanso a seus superiores.

Em 19 de maio de 1231, recolheu-se então na propriedade de um nobre da região, conde Tiso VI (?-1234), em Camposampiero, a 20 quilômetros de Pádua, no norte da Itália, onde vivia.

Conforme conta a primeira crônica biográfica sobre o santo, publicada pela Ordem dos Frades Menores em 1232, "Beati Antonii Vita Prima", ele parecia muito fraco naquela manhã de 13 de junho e desmaiou. Foi acomodado em uma cama rudimentar, de palha. Quando recobrou a consciência, pediu que o levassem de volta a Pádua, onde teria a assistência de irmãos religiosos.

Foi colocado então sobre um carro de boi. No caminho, contudo, com o frade visivelmente agonizando, os que o acompanhavam no traslado decidiram parar em um convento localizado em um pequeno burgo, na época chamado de Capo di Ponte — hoje, bairro de Arcella, no subúrbio de Pádua.

E foi ali, numa cela da pequena casa religiosa, que o santo morreu. Só depois foi levado para a Pádua que se tornaria famosa por conta dele.

Depois de atuar em diversas cidades — há registros comprovados de sua passagem por 37 localidades, hoje pertencentes a nações como Portugal, Espanha, Marrocos, Itália e França, mas é altamente provável que suas andanças como pregador tenham chegado a locais nas atuais Alemanha, Suíça, Eslovênia e Áustria —, foi no ano anterior à sua morte que Antônio decidiu resignar ao posto de provincial dos franciscanos em Milão e escolheu Pádua para viver.

Mesmo a cidade italiana, hoje com 211 mil habitantes, tendo sido endereço em algum momento inúmeros personalidades de vulto, como Nicolau Copérnico (1473-1543), Cristóvão Colombo (1451-1506) e Galileu Galilei (1564-1506), é inegável que a maior parte dos turistas que a visitam atualmente estão em busca de Santo Antônio — ou, como se diz por lá, simplesmente Il Santo, "O Santo".

2. Ele não nasceu em 1195, como a tradição acabou consagrando

Não há um consenso sobre a data exata de nascimento de Santo Antônio. A tradição católica havia consagrado o dia 15 de agosto de 1195. Hoje, especialistas concordam que o dia tenha sido inventando em algum momento, intencionalmente no mesmo 15 de agosto que a Igreja celebra a festa da Assunção de Nossa Senhora.

No seu livro "Santo Antônio: Vida, Milagres, Culto", Frei Basílio — cujo nome civil era Hugo Röwer (1877-1958) — escreveu que "a circunstância de ter nascido no dia festivo da Assunção de Nossa Senhora foi o presságio de sua terna devoção à Maria Santíssima, cuja Assunção gloriosa ao céu iria mais tarde pregar nos seus sermões e com cujo hino nos lábios iria transportar o limiar da eternidade". Já o frade português Fernando Félix Lopes, em seu "Santo António de Lisboa: Doutor Evangélico", adota o ceticismo mais compatível com o que se entende como verdade atualmente: "eu diria que foi o povo quem imaginou a data de modo tão preciso", pontuou, consciente da precária documentação existente.

Em 1981, durante as celebrações pelos 750 anos de sua morte, o Vaticano autorizou que seus restos mortais, sepultados na basílica a ele dedicada em Pádua, fossem exumados para análise científica. Exames antropométricos foram então realizados, por uma junta de pesquisadores, alguns ligados à Santa Sé, outros vinculados à Universidade de Pádua. A principal conclusão: o material era compatível com um homem de mais de 40 anos.

Seus biógrafos passaram então a situar seu nascimento como tendo sido provavelmente em 1188. Isto tornaria compatíveis com a realidade diversas datas sobre as quais há registros em sua vida, como seus ingressos às ordens religiosas — primeiro, ele foi agostiniano; depois, franciscano — e sua ordenação sacerdotal. Se for admitido o nascimento em 1195, é preciso crer nele um prodígio capaz de ter abreviado etapas de estudo, galgando degraus em idade inferior ao usual para a época.

As incertezas, contudo, persistem até em locais onde essas informações poderiam dirimir dúvidas. Inaugurado em 2014 no centro de Lisboa, o Museu de Lisboa: Santo Antônio afirma, no site, que o religioso nasceu em 1195, embora admita que o 15 de agosto tenha sido uma tradição, possivelmente criada no século 17. Em letreiro afixado no memorial, por outro lado, a instituição diz que Antônio veio ao mundo em 1191.

Em 2014, novos estudos científicos foram realizados nos restos mortais de Antônio, por pesquisadores do Museu de Antropologia da Universidade de Pádua, em parceria com o Centro de Estudos Antonianos e com o grupo Arc-Team Open Research. O designer brasileiro Cícero Moraes foi encarregado de fazer, por computação gráfica, a reconstituição facial tridimensional fidedigna do santo. Mais uma vez, a confirmação: tratava-se de um homem de mais de 40 anos.

O que não há dúvidas, contudo, é que seu nome de batismo era Fernando, e não Antônio. Muito provavelmente, a julgar inclusive por ter tido acesso a estudos básicos em uma época de parcos escolarizados, filho de uma família importante da sociedade lisboeta da época. Diversos pesquisadores concordam que seu nome completo era Fernando Martins de Bulhões e Taveira de Azevedo.

Quando decidiu ingressar para a vida religiosa, Fernando buscou o Mosteiro de São Vicente de Fora, mantido pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho. Sua entrada para o convento está nos registros históricos da instituição devidamente preservados pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo. "Em 1210, professou em São Vicente aquele que viria a ser Santo Antônio de Lisboa", afirma o verbete.

A vida junto aos agostinianos foi o que conferiu erudição ao jovem religioso. Teve acessos a livros e ensino não só de teologia e doutrina católica, mas também de história, astronomia, medicina, matemática, retórica e letras jurídicas.

Insatisfeito com as limitações do convento, Fernando solicitou transferência para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra — o que aconteceu entre o fim de 1211 e início de 1212. Trata-se da mais antiga casa agostiniana de Portugal, fundada em 1131. E ficava na cidade que era então a capital de Portugal.

"Ele era de origem nobre, e [tornou-se] um intelectual bem preparado. Era professor de teologia. Vivia como Fernando em um mosteiro […] onde o estudo e a ciência eram prioridades. Mas ficou impressionado com a vida dos seguidores de Francisco de Assis, e ao se tornar franciscano, atraído pela simplicidade, revelou-se em uma tal humildade que, no começo, nem os confrades desconfiaram do grande intelectual que estava no meio deles", conta à BBC News Brasil o teólogo Luiz Carlos Susin, professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana.

Esta mudança para a Ordem dos Frades Menores, ou seja, a transformação de agostiniano em franciscano, ocorreu em algum momento entre junho e agosto de 1220. Em um sinal de que deixava a vida pregressa para trás, Fernando assumiu nova identidade. Escolheu Antônio.

O nome tinha motivos, é claro. O eremitério franciscano em Coimbra, local hoje ocupado pela Igreja de Santo Antônio dos Olivais, era chamado de Santo Antão — em sua forma latina, Antonius. Santo Antão do Deserto (251-356), conhecido como "pai de todos os monges", foi um religioso considerado pela Igreja como o precursor da vida monástica. Assim, Antônio homenageava também, de certa forma, os agostinianos que deixava para trás, já que Santo Agostinho bebeu na fonte de Antão ao criar sua regra monástica.

O relato "Beati Antonii Vita Prima" explica de forma poética esse momento. "Assim foi o próprio Antônio em pessoa, que, substituído o vocábulo, se impôs o nome e com ele, por um feliz presságio, designou qual havia de ser o arauto da palavra de Deus", afirma o texto. "Antônio, pois significa por assim dizer aquele que atroa os ares. E na realidade a sua voz, qual trombeta portentosa, quando expressava entre os doutos a Sabedoria oculta no mistério de Deus, proclamava com ênfase tais e tão profundas verdades das Escrituras, que mesmo, e nem sempre, o exegeta poderia compreender a eloquência da sua pregação."

3. Nenhum dos 53 milagres de sua canonização tem a ver com casamento

Nem bem foi sepultado em Pádua, no dia 17 de junho de 1231, começaram a pipocar pela região relatos de milagres atribuídos à intercessão daquele que já era chamado de santo ainda em vida. Seu túmulo começou a atrair devotos e pagadores de promessa.

Menos de um mês após sua morte, o bispo Jacopo Corrado (?-1239) solicitou ao papa Gregorio IX (1170-1241) que abrisse um processo para canonizar o frade. Admirador dos franciscanos, o sumo pontífice, que havia conhecido Antônio em vida, aceitou. Mas houve uma resistência na cúpula da Igreja.

O maior problema seria canonizar, quase que sequencialmente, dois frades franciscanos — além de tudo, uma ordem fundada há tão pouco tempo, em 1209. Francisco de Assis (1181 ou 1182-1226) havia sido oficializado santo, pelo mesmo papa Gregório IX, em 1228.

A celeuma político-clerical foi contornada com um apelo popular materializado em enxurrada de histórias de milagres. Em uma época em que os processos de canonização careciam das padronizações metodológicas hoje existentes, o papa mandou criar duas comissões: em Pádua, conferiu poderes ao bispo Corrado e aos superiores dos beneditinos e dos dominicanos para que reunissem casos milagrosos e examinassem as pessoas que se diziam curadas; em Roma, designou dois cardeais para analisarem os relatórios.

A esses esforços foram juntados documentos produzidos por dois cardeais que, em visita à região de Milão, também coletaram narrativas de prodígios ocorridos, de acordo com a fé popular, graças a Antônio.

O documento que serviu para justificar sua canonização acabou reunindo, depois desses crivos, 53 milagres atribuídos a sua intercessão. A grande maioria dizia respeito a problemas de saúde, de paralisias a surdez, passando pela fantástica história de uma menina que teria morrido afogada e voltado a viver. Alguns dos casos listados, contudo, são mais prosaicos — como o de uma taça de vidro atirada contra a parede — apenas para testar o poder do santo — que não teria se quebrado e de tripulantes de um barco à deriva que, em meio a uma tempestade, fiaram-se em Santo Antônio para reencontrar o caminho de volta.

Em 30 de maio de 1232, menos de um ano após a morte do franciscano, papa Gregório IX anunciou que Antônio já podia ser eternizado no rol dos santos da Igreja. "Em honra e louvor à Santíssima Trindade e para exaltação da santa Igreja, inscrevemos o servo de Deus, Frei Antônio, confessor da Ordem dos Frades Menores, no catálogo dos santos, e ordenamos que a sua festa seja celebrada todos os anos em 13 de junho", declarou o pontífice.

Em 13 de junho daquele ano, a missa do primeiro aniversário da morte dele foi especial para a cidade de Pádua: não só ele podia ser chamado de santo, como foi lançada ali a pedra fundamental da construção do santuário a ele dedicado: é a base da mesma construção atual, oficialmente Pontifícia Basílica Menor de Santo Antônio de Pádua — que seria concluída apenas em 1310 e, com o passar dos séculos, passou por várias reformas e modificações.

Mas se nenhum dos milagres compilados pelo Vaticano tratava de casamento, de onde veio essa fama? Para hagiógrafos, há algumas explicações. A primeira é que, ainda em vida, ele teria sido um grande opositor dos casamentos combinados por interesse entre famílias, o que ele chamava de mercantilização do sacramento — defendia que os casais fossem formados por amor.

Há ainda uma versão, com contornos de lenda, de que ele teria desviado, certa vez, donativos recebidos pela Igreja, para ajudar uma moça a conseguir dinheiro suficiente para o dote que era necessário ao seu casamento.

"Ele é arranjador de bons casamentos somente em alguns países. Na maior parte dos países europeus e nos Estados Unidos, o santo dos namorados é São Valentim", lembra o teólogo Susin. "Na biografia de Santo Antônio e nas lendas medievais não há nada que su gira esse título. Mais tarde, porém, o santo de Lisboa e Pádua substituiu, nas lendas populares, o deus romano Mercúrio como o mensageiro de boas notícias, o portador e o intérprete de boas encomendas."

"Na Itália e em alguns países latinos esta permanece sua qualidade especial", prossegue. "Talvez o fato de Antônio levar a Palavra de Deus para o povo como boa notícia, e o povo procurar sua palavra, seja a origem do santo que acha o que foi perdido, que acha o que é difícil, e acerta no amor."

4. Embora fosse contra as armas, acabou virando militar — postumamente

Desde as mais antigas biografias, há ênfase no fato de que Antônio era contrário às armas e qualquer postura bélica. Quando jovem, seu pai teria tentado demovê-lo da ideia de se tornar padre — e a alternativa era que o filho se tornasse militar.

Aos 15 anos, por ordens paternas, o então menino Fernando teria estudado cavalaria e esgrima, mas nunca demonstrou muita aptidão para isso. Já como sacerdote, em diversos sermões defendeu que as Cruzadas ocorrem pelo diálogo, que o convencimento e a conversão fossem resultantes da argumentação, nunca das armas.

Contudo, como em casos de guerra é o santo de casa que faz milagre, é o santo de casa que luta do lado nacional, nos séculos seguintes à sua morte, Antônio passou a ser requisitado por soldados portugueses. As primeiras referências do santo sendo considerado militar no exército português datam de 1623. Durante o reinado de Afonso VI (1643-1683), em batalhas contra o domínio de Castela, ficou determinado que Antônio fosse "alistado no exército, como seu patrono" e "assentasse praça como soldado".

A ideia era dar ânimo aos soldados de carne e osso. E, ao mesmo tempo, esses salários funcionavam como verba oficial para algum convento — que ficava com o dinheiro. A partir de então, Antônio passou a galgar posições dentro das forças portuguesas, com direito a novos postos e sucessivos aumentos de salário.

Em 1777, o então comandante do Regimento de Lagos escreveu à rainha Maria I (1734-1816) uma carta bastante curiosa pedindo melhor patente ao santo. "Durante todo o tempo em que tem sido capitão, vai para quase cem anos, constantemente cumpriu seu dever com maior prazer à frente de sua companhia, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem-número, como eles todos estão pontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial", argumentou ele, dizendo que o capitão Antônio era "muito digno e merecedor do posto de major", ressaltando que não havia nos registros nada relativo a "mau comportamento ou irregularidade praticada por ele".

No Brasil, o santo teve cargos em diversas corporações desde os tempos coloniais. Em 1595, seu primeiro posto foi como soldado, na Bahia. A explicação é contada pelo historiador José Carlos de Macedo Soares, no livro "Santo Antonio de Lisboa, Militar no Brasil": uma imagem do santo teria protegido portugueses em um episódio envolvendo uma frota holandesa que pretendia invadir a costa brasileira. A partir de então, o santo passou a ganhar salário de soldado naquela região.

Histórias do tipo foram se somando. Há indícios de que só na Bahia tenham sido quatro salários simultâneos. Quando assumiu a capitania de Pernambuco, em 1685, João da Cunha Souto Maior também determinou que Santo Antônio se tornasse soldado — o convento de Olinda tornou-se beneficiário dos vencimentos.

Há relatos de Santo Antônio militar na Paraíba, no Rio e no Espírito Santo. Em São Paulo chegou a coronel, maior patente de sua carreira no país, conforme está manuscrito na página 154 o livro 17 do Arquivo do Estado. O texto, assinado pelo então governador Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão (1722-1798) em 5 de janeiro de 1767 justifica que o gesto é "para aumento da devoção do mesmo santo e à imitação do que se tem praticado nas mais capitanias deste Brasil".

Com a transferência da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, essas nomeações passaram a se tornar mais abrangentes. Em 1810, o então príncipe-regente João VI (1767-1826) fez do religioso sargento-mor de todo o exército luso-brasileiro. Em 1813, o santo foi promovido para tenente-coronel de infantaria — os salários eram repassados aos franciscanos do convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro.

A proclamação da República, em 1889, com a oficial separação entre Igreja e Estado, seria o ponto final na bem-sucedida carreira antoniana no exército nacional. Mas o processo não foi imediato. Conforme jornais da época, a legitimidade do holerite de Santo Antônio foi discutida ainda na primeira gestão. Em outubro de 1890, o então ministro da Guerra, Floriano Peixoto (1839-1895), determinou que não fosse anulado o decreto de 1814. "Deferindo a reclamação pelo provincial dos franciscanos, […], vos declaro, enquanto por ato especial não for anulado, o decreto de 26 de julho de 1814, que conferiu a patente de tenente-coronel de infantaria à imagem de Santo Antônio do Rio de Janeiro, deve continuar a pagar-se o soldo a que tem direito", diz trecho do documento.

Em 1907, o delegado fiscal do Tesouro Nacional, que por um capricho do destino se chamava Antônio de Pádua Mamede, finalmente retirou Santo Antônio das folhas de pagamento. "Não é lícito que a nação continue a pagar aquele soldo […] concorrendo-se, assim, para conservar a crendice que teve o príncipe regente ao expedir aquelas patentes", justificou.

Mesmo assim, foram cinco anos de idas e vindas até que essa decisão fosse aprovada pelo ministério da Fazenda. A identidade do ministro, aliás, também guardava irônica coincidência: coube a Francisco Antônio de Sales (1863-1933) registrar, na folha 21 do livro 486 da então Diretoria de Contabilidade da Guerra a extinção dos holerites antonianos.

Só que suas patentes não foram revogadas, mesmo sem salário. Em 1924, o presidente Artur Bernardes (1875-1955) cobrou providências ao ministro da Guerra. "O coronel Antônio de Pádua vai quase em três séculos de serviço. Nomeio-o general e ponha-o na reserva", escreveu, em carta. A partir de então, Santo Antônio passou para a reserva.

5. Ele foi "adotado" pelos brasileiros, por causa dos franciscanos portugueses

Muitos apontam Santo Antônio como o mais populares entre os altares brasileiros. Em 1995, a instituição Associação do Senhor Jesus realizou pesquisa entre católicos praticantes para saber quais são os de maior predileção. Antônio apareceu no topo do ranking, com 20% das respostas — 4 mil pessoas foram ouvidas.

Entre pesquisadores, é unânime a explicação de que a devoção ao santo ganhou popularidade no Brasil por conta da colonização portuguesa. E é altamente provável que a primeira imagem de Antônio tenha sido trazida já pela frota de Pedro Álvares Cabral (1467-1520), em 22 de abril de 1500. Na esquadra, estavam oito frades franciscanos, entre eles Henrique Soares de Coimbra (1465-1532), celebrante da primeira missa em solo brasileiro.

Eram franciscanos como Santo Antônio. Eram portugueses como Santo Antônio. Eram devotos de Santo Antônio. Nas décadas seguintes, conventos franciscanos começaram a se espalhar pela colônia. "De certo modo, todo este histórico contribuiu para a difusão do Santo. Independentemente dos religiosos que nos catequizaram, tem o fato de Santo Antônio ser português e isto era muito motivo de orgulho ao colonizador", diz à BBC News Brasil o pesquisador José Luís Lira, presidente da Academia Brasileira de Hagiologia.

E sua fama acabou se difundindo pelo Brasil. "A figura do santo casamenteiro, do santo das coisas perdidas, suas pregações", prossegue Lira. "Somando-se a tudo isso, vieram as festas juninas que, embora trazidas pelo colonizador, aqui assumiram conotação própria. Todos esses fatores, mais a presença ininterrupta dos franciscanos no Brasil, contribuíram, em muito, para que Santo Antônio se tornasse um dos santos mais amados e populares."

"Os franciscanos sempre foram muito importantes no Brasil. Depois da expulsão dos jesuítas, no século 18, se tornaram a ordem religiosa mais influente no país. Era natural que difundissem a devoção a um dos seus maiores santos, que além de tudo era português", acrescenta à BBC News Brasil o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Por outro lado, Antônio, mesmo entre os franciscanos, é um santo particularmente próximo a São Francisco de Assis. Ambos se voltam para os pobres e desvalidos, falam com animais, são modelos de vida na pobreza."

"O povo procura santos que sejam próximos às pessoas e a humildade e o apego à pobreza são considerados sinais inconfundíveis dessa proximidade. Sua fama de casamenteiro ilumina essa devoção. A jovem aflita pede ao santo aquilo que é a definição mais importante de sua vida", diz o sociólogo. "Para os adultos pragmáticos, trata-se de um pedido e de uma insegurança até pueril. A jovem casamenteira é até ridicularizada na tradição popular. Santo Antônio é, portanto, o santo suficientemente poderoso para interceder pelo desejo mais importante da vida, e suficientemente humilde e atencioso para receber aquele pedido que pode parecer pueril e até envergonhado."

"No Brasil, tornou-se um santo muito popular, muito amado, muito aclamado. Veja a quantidade de pessoas no Brasil que se chamam Antônio e a quantidade de cidades que têm o nome de Santo Antônio", atenta Moraes.

Trinta e oito municípios brasileiros têm seus nomes em alusão ao santo. Há a cidade de Santo Antônio, no Rio Grande do Norte, ou variações como Santo Antônio do Içá, no Amazonas, ou Santo Antônio do Pinhal, em São Paulo. E duas Novo Santo Antônio, uma no Mato Grosso, outra no Piauí.

Para o frade franciscano Diogo Luís Fuitem, diretor da revista Mensageiro de S. Antônio e autor do livro "Antônio: O Santo do Povo", o santo caiu no "gosto popular" do Brasil porque sua mensagem conseguiu "cativar a todos". "Santo casamenteiro", "santo milagreiro", "restituidor de coisas perdidas…", elenca ele, à BBC News Brasil. "Esses títulos mostram que ele conseguiu se identificar com o povo necessitado de orientação e de amparo. [Antônio,] em sua breve vida, foi um reflexo da presença de Deus."

*O jornalista é autor do livro-reportagem "Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil" (Editora Planeta, 2021).

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Fonte: Redação JIA
 
 
Dia dos namorados O que é o dia dos namorados? 13/06/2021
 
 
 
Dia dos namorados
O que é o dia dos namorados?

O dia dos namorados, também conhecido como “Valentine’s Day”, é uma data comemorativa na qual se celebra o amor e a união dos casais. Nesse dia, os namorados costumam trocar presentes, flores, chocolates e declarações de amor.

No Brasil, o dia dos namorados é celebrado em 12 de junho, mas em diversos outros países essa comemoração acontece no dia 14 de fevereiro, que é o dia de São Valentim.

História do dia de São Valentim (Valentine’s Day)
Em muitos países do mundo, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, o dia dos namorados é celebrado no dia 14 de fevereiro, o dia de São Valentim - um santo reconhecido pela Igreja Católica.

A origem exata dessa celebração não é comprovada, mas uma das lendas mais famosas conta que Valentim era um sacerdote em Roma em meados do século III, quando o Império Romano era governado por Cláudio II.

Cláudio II decide proibir a celebração de matrimônios, pois acreditava que se os homens ficassem solteiros, eles seriam soldados melhores, pois não teriam construído os laços de uma família.

O sacerdote Valentim não concordou com essa medida e, contrariando as ordens do imperador, celebrava os matrimônios de maneira escondida.

Carlos II toma conhecimento das celebrações que Valentim estava fazendo e manda encarcerá-lo. Anos mais tarde, em 270, o sacerdote é executado.

São Valentim tornou-se um santo e no ano de 494 o papa Gelásio I determinou que o dia 14 de fevereiro seria o dia de São Valentim. Essa data foi celebrada durante séculos pela Igreja Católica, até o ano de 1969.

Apesar de não ser mais celebrado pela Igreja Católica, a comemoração do dia dos namorados se tornou uma tradição na sociedade e continua sendo uma data importante no calendário.

Como é celebrado com troca de presentes, passeios e jantares, o dia dos namorados também se tornou uma data muito importante para o comércio.

O dia dos namorados no Brasil
A comemoração do dia dos namorados não era uma tradição no Brasil, a data começou a ser celebrada depois de uma campanha publicitária realizada em 1949.

Naquele ano, o publicitário João Dória, diretor da Agência Standard Propaganda, criou uma campanha comercial para a loja Clipper, que costumava ter baixo volume de vendas no mês de junho.

Um dos slogans utilizado para a campanha foi:

Não é só de beijo que vive o amor.

O dia 12 foi escolhido por ser a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Nos anos seguintes, a data começou a se popularizar, outras empresas trabalharam em campanhas publicitárias voltadas para o dia dos namorados e a tradição se espalhou pelo país.

Hoje no Brasil o dia dos namorados é a terceira celebração de mais movimento no comércio, atrás apenas do dia das mães e do natal. Nesse dia os casais trocam presentes e costumam jantar em restaurantes.

Veja também o significado de namoro e conheça os nomes das bodas de namoro.
 
Fonte: Redação JIA
 
 
Dia dos namorados O que é o dia dos namorados? 13/06/2021
 
 
 
Dia dos namorados
O que é o dia dos namorados?

O dia dos namorados, também conhecido como “Valentine’s Day”, é uma data comemorativa na qual se celebra o amor e a união dos casais. Nesse dia, os namorados costumam trocar presentes, flores, chocolates e declarações de amor.

No Brasil, o dia dos namorados é celebrado em 12 de junho, mas em diversos outros países essa comemoração acontece no dia 14 de fevereiro, que é o dia de São Valentim.

História do dia de São Valentim (Valentine’s Day)
Em muitos países do mundo, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, o dia dos namorados é celebrado no dia 14 de fevereiro, o dia de São Valentim - um santo reconhecido pela Igreja Católica.

A origem exata dessa celebração não é comprovada, mas uma das lendas mais famosas conta que Valentim era um sacerdote em Roma em meados do século III, quando o Império Romano era governado por Cláudio II.

Cláudio II decide proibir a celebração de matrimônios, pois acreditava que se os homens ficassem solteiros, eles seriam soldados melhores, pois não teriam construído os laços de uma família.

O sacerdote Valentim não concordou com essa medida e, contrariando as ordens do imperador, celebrava os matrimônios de maneira escondida.

Carlos II toma conhecimento das celebrações que Valentim estava fazendo e manda encarcerá-lo. Anos mais tarde, em 270, o sacerdote é executado.

São Valentim tornou-se um santo e no ano de 494 o papa Gelásio I determinou que o dia 14 de fevereiro seria o dia de São Valentim. Essa data foi celebrada durante séculos pela Igreja Católica, até o ano de 1969.

Apesar de não ser mais celebrado pela Igreja Católica, a comemoração do dia dos namorados se tornou uma tradição na sociedade e continua sendo uma data importante no calendário.

Como é celebrado com troca de presentes, passeios e jantares, o dia dos namorados também se tornou uma data muito importante para o comércio.

O dia dos namorados no Brasil
A comemoração do dia dos namorados não era uma tradição no Brasil, a data começou a ser celebrada depois de uma campanha publicitária realizada em 1949.

Naquele ano, o publicitário João Dória, diretor da Agência Standard Propaganda, criou uma campanha comercial para a loja Clipper, que costumava ter baixo volume de vendas no mês de junho.

Um dos slogans utilizado para a campanha foi:

Não é só de beijo que vive o amor.

O dia 12 foi escolhido por ser a véspera do dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Nos anos seguintes, a data começou a se popularizar, outras empresas trabalharam em campanhas publicitárias voltadas para o dia dos namorados e a tradição se espalhou pelo país.

Hoje no Brasil o dia dos namorados é a terceira celebração de mais movimento no comércio, atrás apenas do dia das mães e do natal. Nesse dia os casais trocam presentes e costumam jantar em restaurantes.

Veja também o significado de namoro e conheça os nomes das bodas de namoro.
 
Fonte: Redação JIA
 
 
Estudos mostram que máscaras devem ser mantidas contra reinfecção e transmissão da Covid-19 Pesquisas apontam que nem mesmo jovens 12/06/2021
 
 
 
Estudos mostram que máscaras devem ser mantidas contra reinfecção e transmissão da Covid-19
Pesquisas apontam que nem mesmo jovens saudáveis estão livres de serem infectados mais de uma vez e que vacinados podem contrair a Covid e transmitir o vírus, uma vez que a vacina não é 100% eficaz contra a transmissão.

Na contramão do anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira (11), de que o uso de máscara poderá ser desobrigado para os que já foram vacinados ou para os que já tiveram o coronavírus, estudos sobre transmissão por vacinados e reinfecção pela Covid-19 comprovam a importância da máscara para frear a circulação do vírus e controlar a pandemia.

PROTEÇÃO INDISPENSÁVEL: Qual máscara é mais eficiente e qual evitar: guia do G1 dá dicas
O infectologista Marcelo Otsuka ressalta que a máscara é uma política de saúde pública contra o coronavírus "no mundo todo" e que apenas os países que conseguiram controlar o vírus já começaram a flexibilizar o uso do item pelos vacinados.

"Poderemos começar a deixar de usar a máscara somente quando vacinarmos 75% da população no país e a taxa de infecção caia significativamente, para 0,3 ou 0,5 e se mantenha estável. Atualmente, nossa taxa de infecção é de cerca de 1,0. É muito alta", diz Otsuka.
Abaixo, em tópicos, o resumo do que se sabe até o momento sobre transmissão por quem já foi vacinado:

Quem já foi vacinado pode se infectar, pois as vacinas foram prioritariamente desenvolvidas para evitar a forma grave da Covid-19, hospitalizações e óbitos, não contra o vírus. E, uma vez infectado, a pessoa pode transmitir;
Estudo preliminar na Inglaterra mostrou que infectados pelo coronavírus que tomaram as vacinas da Pfizer ou Oxford/AstraZeneca tinham menor probabilidade de transmitir o coronavírus, mas ainda tinham 50% de chances de transmissão (leia detalhes abaixo);
Estudo preliminar com profissionais da saúde em Israel mostrou que vacina da Pfizer reduziu a transmissão em até 75%; o mesmo resultado não deve ser alcançado na população em geral;
Pesquisadores avaliam que é necessário uma "vigilância ativa" que compare vacinados e não vacinados para demonstrar o comportamento da transmissão entre os imunizados a longo prazo.

O infectologista Robério Dias Leite lembra que nenhuma das vacinas desenvolvidas contra o coronavírus são totalmente eficazes. "Quem foi vacinado pode ter Covid-19, pois nenhuma vacina é 100% eficaz e, ainda que numa forma leve ou mesmo assintomática, também pode transmitir", afirma.

Sobre a possibilidade de se infectar mais de uma pelo coronavírus, Dias Leite alerta que "quem já teve Covid pode ter novamente e transmitir, sobretudo no contexto de emergência das variantes", diz.
Abaixo, em tópicos, o resumo do que se sabe até o momento sobre a reinfecção por quem já teve o coronavírus:

Quem teve o coronavírus adquire algum tipo de imunidade natural, mas há diversos relatos de casos de pessoas reinfectadas;
Não apenas a reinfecção é possível, como também já foi observado pessoas que se infectaram mais de duas vezes (leia exemplos abaixo);
Idosos a partir de 65 anos têm mais chances de serem reinfectados;
A reinfecção é possível mesmo entre jovens saudáveis;
É possível ser reinfectado por uma linhagem semelhante à da primeira vez em que contraiu o vírus, não sendo necessário ser exposto a uma variante nova e mais agressiva;
Pessoas que tiveram casos leves de Covid podem ter reinfecção com sintomas mais fortes;
Quem teve a forma branda da doença pode não desenvolver anticorpos, mesmo que por um período curto.

Transmissão por vacinados
O primeiro estudo a divulgar resultados preliminares sobre a transmissão em vacinados foi realizado com a vacina de Oxford/AstraZeneca e publicado em fevereiro, na revista "The Lancet". Segundo os cientistas da Universidade de Oxford, a vacina pode reduzir em até 67,6% a transmissão do coronavírus nas pessoas que tomaram as doses em um esquema diferente: meia dose na primeira e uma dose padrão na segunda. Já entre os que foram imunizados com as duas doses na quantidade padrão, a redução da transmissão foi menor, de 54,1%.

Covid-19: mapa mostra transmissão "extremamente alta" em quase todo o Brasil
Outro estudo preliminar publicado de fevereiro, feito com profissionais da saúde de um hospital em Israel, demonstrou que a vacina da Pfizer/BioNTech reduziu em até 75% a transmissão do coronavírus menos de um mês após a aplicação da primeira dose. Os resultados foram publicados na revista "The Lancet".

Apesar do bom resultado, os cientistas israelenses pontuaram que eles precisavam "de validação adicional por meio de vigilância ativa" e que as reduções vistas nos profissionais de saúde podem ser diferentes das vistas na população em geral, uma vez que estes profissionais estão mais expostos ao vírus e a cepas mais virulentas e infecciosas.

Já um estudo preliminar publicado em abril pela Public Health England (PHE), agência de saúde da Inglaterra, mostrou que vacinados com os imunizantes da Pfizer ou Oxford/AstraZeneca tinham entre 38% e 49% menos probabilidade de transmitir o vírus dentro de casa para os moderadores que ainda não tinham tomado a vacina. Os pesquisadores observaram pessoas infectadas pelo coronavírus três semanas depois de tomarem uma dose.

Estes resultados demonstram, segundo os especialistas, que, enquanto não se alcançar a imunidade de rebanho, vacinados têm que usar máscara, uma vez que a vacina por si só não é totalmente eficaz.

"Vacinados têm que usar máscara. Estamos cansados de ver pacientes que se infectaram mesmo depois da vacina. Isso acontece porque ela previne contra os casos graves, mas não contra a infecção. Você pode estar vacinado e ser infectado", afirma Otsuka. E uma vez infectado, a pessoa transmitirá o vírus.

Os cientistas afirmam que ainda é necessário mais estudos para saber o momento exato em que será seguro vacinados deixarem de usar a máscara em locais públicos.

Entre os países que começaram a flexibilizar o uso do item pelos vacinados, como Reino Unido, Israel e Estados Unidos, Otsuka destaca que são países que imunizaram - quando cada indivíduo tomou as duas doses - quase metade da população.

"Os países que estão deixando de usar máscaras são os que estão com a vacinação muito avançada, com mais de 40% da população totalmente imunizada", diz Otsuka.

Dias Leite lembra que, no caso do Brasil, além da transmissão descontrolada e da presença de variantes, o país vacinou cerca de 11% da população.

"A liberação do uso de máscaras para vacinados só poderá ser recomendada quando tivermos uma parcela significativa da população vacinada, jamais num cenário de absoluto descontrole em que nos encontramos no Brasil, infelizmente", afirma Dias Leite.

Reinfecção por Covid
Idosos foram os mais propensos a uma reinfecção por coronavírus, segundo um estudo dinamarquês publicado em março na revista científica "The Lancet". Ao analisar um grupo de mais de 4 milhões pessoas na Dinamarca por cerca de um ano, observou-se que, enquanto os mais jovens (de zero a 64 anos) apresentaram uma taxa de proteção de cerca de 80% para novas infecções, em pacientes com 65 anos ou mais, essa proteção despencou para 47%.

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O mesmo estudo dinamarquês demonstrou que as pessoas que já foram infectadas desenvolvem proteção contra a Covid-19, mas esta imunidade natural não é permanente e dura cerca de seis meses apenas. Por isso, o artigo ressaltou que esse tipo de proteção não é uma medida confiável para controlar a pandemia e que a vacinação e medidas como distanciamento social e uso de máscara não podem ser deixados de lado.

Já um estudo da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto apontou um período ainda menor para a imunidade natural, menor que dois meses: os pesquisadores observaram o caso de uma jovem de 24 anos que se reinfectou 50 dias após a primeira infecção. Nos dois casos a jovem apresentou sintomas. O estudo foi publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Um estudo americano sobre reinfecção descobriu um intervalo ainda menor entre a primeira e a segunda: foram apenas de 48 dias. O paciente era jovem, um homem de 25 anos, e a segunda infecção foi mais grave, resultando em internação com suporte de oxigênio.

Em abril, outro estudo americano afirmou que a reinfecção por Covid-19 é possível mesmo entre jovens saudáveis. Os cientistas analisaram cerca de 3 mil jovens fuzileiros navais de 18 a 20 anos por seis semanas e observaram que anticorpos gerados na primeira infecção não evitaram nova infecção. O risco de contrair a doença novamente, entretanto, foi cinco vezes menor quando se comparado com os jovens que ainda não tiveram a Covid-19.

Também em abril, um estudo da Fiocruz em parceria com o Instituto D’Or e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que quem já teve Covid com sintomas muito leves, ou assintomática, podem ter reinfecção com sintomas mais fortes. Isso aconteceu porque, segundo os cientistas, as pessoas que tiveram a forma branda da doença da primeira vez não desenvolveram nenhum anticorpo contra o coronavírus.

“A manutenção daqueles cuidados básicos de distanciamento social, uso de máscara, higiene das mãos, álcool gel e sabão. O vírus não está controlado, a pandemia não está controlada, o vírus continua circulando e as pessoas que já tiveram a doença estão sujeitas a serem reinfectadas”, disse Mário Dal Poz, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, ao Jornal Nacional em abril.

Outro estudo brasileiro, desta vez da Unicamp, identificou quatro casos de reinfecção pela Covid-19 em profissionais da saúde causadas por variantes consideradas de "não preocupação". A conclusão dos cientistas é possível um paciente ser reinfectado por uma linhagem semelhante à da primeira vez, sendo possível contrair o vírus novamente mesmo em cenários onde as linhagens mais agressivas estejam controladas. Os resultados foram publicados na revista científica do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

 
Fonte: Redação JIA
 
 
Governo de SP multa Bolsonaro e o filho por não usarem máscara durante passeio com motociclistas 12/06/2021
 
 
 
Governo de SP multa Bolsonaro e o filho por não usarem máscara durante passeio com motociclistas
Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, também recebeu auto de infração por mais de R$ 500 por falta da máscara, obrigatória para prevenir o coronavírus no estado de SP.

presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, foram multados por equipes de saúde e segurança pública de São Paulo por não usarem máscara durante um passeio com motociclistas realizado na capital paulista na manhã deste sábado (12).

Cada um deles foi multado em R$ 552,71 por desrespeito a um decreto estadual que obriga o uso da máscara para prevenir a propagação do coronavírus.

Segundo o governo do estado, os três receberam um auto de infração aplicando a multa e apontando a "necessidade da manutenção das medidas preventivas já conhecidas e preconizadas pelas autoridades sanitárias internacionais, como uso de máscara e distanciamento social".

O uso de máscaras é obrigatório no estado de São Paulo desde maio de 2020, conforme um decreto estadual e uma resolução da secretaria da Saúde.

Nesta semana, Bolsonaro voltou a defender a desobrigação da máscara para vacinados e pessoas que já contraíram a doença. Na quinta (10), o presidente disse que pediu ao ministro da Saúde um "parecer" para desobrigar o uso.

Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que a máscara é imprescindível neste momento crítico da pandemia e condenam a proposta.

O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, reafirmou nesta sexta-feira (11) que o uso do item é obrigatório por lei na cidade.

"Na cidade de São Paulo a máscara é obrigatória. É lei e vai continuar a ser. Sobretudo, nós, autoridades, temos que dar o exemplo", afirmou Aparecido.

A medida que estabelece que a pessoa que for vista sem máscara em espaços públicos e particulares de uso comum vale desde 2 de julho de 2020. A pessoa que estiver sem o item deve ser multada em cerca de R$ 500.

Já os estabelecimentos comercias vão pagar R$ 5.025 para cada pessoa que estiver no local sem a proteção. Há ainda a previsão de uma multa de R$ 1.380,50 se o estabelecimento não afixar placas que informam sobre a obrigatoriedade da máscara.

Balanço
A Vigilância Sanitária Estadual fez, de 1º de julho de 2020 a 31 de maio de 2021, 312.444 inspeções e 7.340 autuações por diversas infrações às normas de prevenção da Covid-19.

O descumprimento das regras de funcionamento sujeita os estabelecimentos à autuações com base no Código Sanitário, que prevê multa de até R$ 290 mil.

Passeio de moto
Sem máscara, Bolsonaro chegou ao evento intitulado "Acelera para Cristo", por volta das 10h, e provocou aglomeração. Com a chegada do presidente, os motociclistas iniciaram o deslocamento. Além de vias da capital paulista, o evento incluiu uma ida até Jundiái, pela Rodovia dos Bandeirantes. No total, o trajeto teve 129km e foi encerrado por volta das 14h30 na região do Ibirapuera, na Zona Sul.

Da Marginal Tietê, o grupo se deslocou para a Rodovia dos Bandeirantes, que ficou interditada para veículos em ambos os sentidos dos kms 14 ao 61. Os acessos das Rodovias Anhanguera e Dom Gabriel para a Rodovia dos Bandeirantes nesta região também foram interditados. Como alternativa, a concessionária falou para utilizar a rodovia Anhanguera, que ficou congestionada.

Durante o trajeto, motocilistas caíram de suas motos. No km 30, um homem sofreu uma fratura no pé, sem gravidade, e foi socorrido pela a equipe da concessionária.

A maioria das motos, assim como a comitiva de Bolsonaro, estava com a placa coberta, para evitar a identificação.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, por meio de sua assessoria de imprensa, as regras do Código de Trânsito Brasileiro só valem para vias abertas para circulação.

Para o especialista Luiz Célio Bottura, engenheiro e consultor de trânsito, o CTB se aplica ao passeio de motos de Bolsonaro, mesmo as ruas estando bloqueadas para interferência externa. O CTB afirma que todas as placas devem possuir caracteres identificadores, dando a prerrogativa, a algumas autoridades, de usar cores diferenciadas de identificação.

A lei também determina que todos os veículos devem possuir placas identificadores quando transitarem em vias abertas. No caso do passeio, as vias foram cercadas pela PM. Mas Bottura afirma que, mesmo assim, o CTB se aplica no caso em concreto.

Segundo o especialista, "não existe forma de bloquear a legislação".

"A via está bloqueada parcialmente ao trânsito, mas há trânsito na via, só que diferenciado", afirmou. Segundo ele, as placas cobertas da comitiva de Bolsonaro são uma irregularidade mesmo com as vias bloqueadas e o presidente deveria ser autuado.

O Código Penal prevê como crime, sujeito a até 6 anos de prisão e multa, adulterar identificação de um veículo, como as placas. A incidência da lei inclui cobrir a identificação de placas de carros e motos.

 
Fonte: Redação JIA
 
 
Cascavel, no Ceará, adota vacinação por ordem de chegada e moradores "dormem na fila" para garantir senha 12/06/2021
 
 
 
Cascavel, no Ceará, adota vacinação por ordem de chegada e moradores "dormem na fila" para garantir senha
Prefeitura adotou modelo de distribuição de senhas neste sábado para imunizar o público por faixa etária e pessoas com comorbidades previamente cadastrados pela internet.


A cidade de Cascavel, na Grande Fortaleza, tem extensa fila com aglomeração e desrespeito às medidas de prevenção contra Covid-19 em vacinação por ordem de chegada neste sábado (12). As pessoas se cadastraram on-line previamente, e a prefeitura optou por fazer uma convocação para imunizá-las por distribuição de senhas. Moradores "dormiram na fila" para garantir atendimento. Outros saíram de madrugada dos distritos da zona rural.

A área da escola Escola Júlia de Melo, um dos pontos de imunização, ficou bastante movimentada, com a presença de ambulantes e dos acompanhantes das pessoas que foram se vacinar. A fila nas imediações da escola é tão grande que avançou por outras ruas. A Secretaria de Saúde ressaltou que as pessoas foram cadastradas e que há vacina suficiente.



A doméstica Vanda Maria do Nascimento Lima, 51 anos, chegou ao local por volta das 7h para garantir a senha e conseguir ser vacinada. Mas segundo ela, alguns colegas que estavam na fila, os primeiros a chegar no local, viraram a noite para garantir a imunização.

"Eu não desisti. Eu fiquei e consegui a minha senha. Muita gente me encontrou no meio do caminho e disse que eu voltasse, e eu não desisti. Teve gente que dormiu aqui. As primeiras pessoas chegaram ontem, às 21h para conseguir uma senha. Eu fiz o cadastro, que é obrigatório, consegui a senha e agora vou tomar minha vacina.", disse.

"Chegamos 6h30 e era uma fila enorme e mal organizada. Aí o pessoal da prefeitura veio e começou a entregar as fichas, mas ainda tem muita gente", disse um outro morador que estava na fila da vacinação e conversou com o G1 por telefone, mas preferiu não se identificar.

Agricultora percorreu 3 km a pé para se vacinar
A agricultora Jane Rocha e Silva, 46 anos, mora no distrito de Guanacés, e percorreu três quilômetros a pé para chegar na rodovia e pagar um motorista para deixá-la na escola onde a vacinação ocorre. Chegando ao local, quando ainda estava escuro, às 5h10, ao se assustar com o tamanho da fila, ela pediu o celular de alguém emprestado, ligou para os filhos avisando que ia demorar e pediu que eles alimentassem os pintos que ela cria. Dona Jane, como prefere ser chamada, é diabética, toma remédios para pressão alta e para o coração.


"Muita desorganização. O certo era eles irem aos distritos. A gente sai correndo risco nas beiras das pistas atrás de carro. De lá para cá eu pago R$ 10. Dez para vir e dez para ir. E se eu não tivesse? Saí (de casa) no escuro, cheguei era 5h10. Fiquei assustada, cheguei pedindo para alguém ligar para os meus filhos porque eu não sabia que horas ia voltar, pensava que era ligeiro. Dizem que não é para ter aglomeração, mas o que é isso aqui?", questionou dona Jane.

Mecânico levou cadeira

Francisco Erivaldo Zacarias, de 53 anos, que trabalha como mecânico, foi outro que madrugou no local para garantir a senha. Ele chegou às 4h30 e, como já imaginava que enfrentaria uma longa fila, levou uma cadeira para não ficar em pé durante horas.

"Cheguei 4h30 da madrugada e até agora não consegui nada ainda, mas se Deus quiser vai dar certo. Mas estou tranquilo. Tirei a senha 467. Trouxe a cadeira para não ficar em pé direto, desde 4h30, até agora. Tem gente demais. Tem gente cortando a fila, está mal organizado", disse o mecânico.

O que diz a Secretaria de Saúde
Em entrevista à TV Verdes Mares, a secretária da Saúde de Cascavel, Margareth Teles, disse que, apesar de a distribuição de senhas, todas as pessoas que estão nos pontos de vacinação estão cadastradas na plataforma Saúde Digital. Ela disse ainda que a quantidade de doses que o município recebeu foi destinada às pessoas que já tinham feito cadastro para vacinação até o dia 7 de junho.

"O próprio sistema não nos permite tirar por data. Então, inviabilizou para que nós convoquemos, nominalmente, seguindo uma sequência lógica de agendamentos por data. Nós trabalhamos a população, divulgamos pontos de vacinação, que não é só esse. Dividimos as faixas etárias, também as categorias, nós estamos com profissionais da educação em outro local, outra categoria de faixa etária em outro local, em um posto de saúde. E aqui nós temos em torno de 1.200 vacinas para esse público, e assim nós fizemos", disse a secretária.

Assista às notícias do Ceará no G1 em 1 Minuto:

 
Fonte: Redação JIA
 
 
Após passeio de moto em SP, Bolsonaro fala contra máscaras e isolamento social, e a favor de remédios sem eficácia 12/06/2021
 
 
 
Após passeio de moto em SP, Bolsonaro fala contra máscaras e isolamento social, e a favor de remédios sem eficácia
Em evento organizado por motoclubes, milhares de motociclistas percorreram vias de São Paulo e, durante o passeio, houve acidentes, multas pelo não uso da máscara, aglomeração, faixas antidemocráticas e descumprimento de leis. Presidente discursou ao final do evento e voltou a defender medicamentos sem eficácia contra a Covid-19.

Um passeio de motociclistas em apoio e com a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provocou interdições em vias da capital paulista, na manhã deste sábado (12). O evento foi organizado por mais de cem motoclubes do país e a maioria dos participantes não usou máscaras.

Governo de SP multa Bolsonaro e o filho por não usarem máscara durante passeio com motociclistas
Bolsonaro, seu filho Eduardo, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, foram multados por não usarem máscara. Durante o trajeto, motociclistas se envolveram em acidentes, a maioria cobriu a placa da moto com fitas adesivas e também houve aglomeração. Faixas antidemocráticas pedindo a intervenção militar foram exibidas aos participantes.

No encerramento do passeio, na região do Parque Ibirapuera, Bolsonaro discursou e voltou a falar contra o uso de máscaras e o isolamento social, e a favor de remédios sem eficácia. O presidente também voltou a dizer que houve excesso de notificações de mortes por Covid-19.

"No ano de 2020, retirando os quase 190 mil irmãos nossos que infelizmente perderam as suas vidas, mas que foi colocado razão de óbito Covid, se tirar de lá, o crescimento de 2020, levando-se em conta 2019, passa a ser negativo. Assim sendo, é mais um indicio robusto que houve, sim, supernotificações. E caso nós venhamos a comprovar isso, vamos ver que o Brasil passaria a ser um dos países que tem o menor índice de morte por habitante. E onde está o segredo disso? Que parece ser pecado falar: está no tratamento precoce. No ano passado, eu com 65 anos de idade fui acometido de Covid e tomei hidroxicloroquina. No dia seguinte, estava curado", afirmou.

Sobre o isolamento social, medida empregada pela maioria dos países do mundo para evitar a circulação do coronavírus, Bolsonaro voltou a dizer que não existe "fundamentação para tal".

"O isolamento social praticado no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação cientifica para tal. Sempre falei no isolamento vertical. O meu governo não fechou comércio, o meu governo não decretou lockdown. O meu governo não impôs toque de recolher. Quem fez isso, fez errado", disse.

Percurso
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que gastou mais de R$ 1,2 milhão com o reforço no policiamento na capital paulista e região de Jundiaí.

Dos mais de 6,3 mil policiais escalados, 1.433 atuaram exclusivamente ao longo dos 129 km do trajeto. "A ação contou ainda com dedicação exclusiva de 5 aeronaves, 10 drones e aproximadamente 600 viaturas, entre motos, carros, bases comunitárias móveis e unidades especiais. Todo ato foi monitorado pelo sistema Olho de Águia, por meio de câmeras fixas, móveis, motolink e bodycams", diz nota da Secretaria.

Por conta do passeio, a Polícia Militar fez bloqueios em vias como a Avenida Santos Dumont, Avenida do Estado, Marginal Tietê, Rodovia dos Bandeirantes e Avenida Pedro Álvares Cabral. Sete linhas de ônibus também foram desviadas durante o passeio.

De acordo com a CET, os bloqueios ficaram a cargo da Polícia Militar, por questões de segurança. O grupo começou a se reunir por volta das 7h na Avenida Olavo Fontoura, na região do sambódromo, na Zona Norte.

Sem máscara, Bolsonaro chegou ao evento intitulado "Acelera para Cristo", por volta das 10h, e provocou aglomeração. Com a chegada do presidente, os motociclistas iniciaram o deslocamento. Além de vias da capital paulista, o evento inclui uma ida até Jundiaí, pela Rodovia dos Bandeirantes. No total, o trajeto foi de cerca de 120km foi encerrado na região do Ibirapuera, na Zona Sul.

Da Marginal Tietê, o grupo se deslocou para a Rodovia dos Bandeirantes, que ficou interditada para veículos em ambos os sentidos dos kms 14 ao 61 Como alternativa, a concessionária falou para utilizar a rodovia Anhanguera, que ficou congestionada.

Durante o trajeto, motociclistas caíram de suas motos. No km 30, um homem sofreu uma fratura no pé, sem gravidade, e foi socorrido pela a equipe da concessionária.

Multas
Tanto Bolsonaro, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, foram multados por equipes de saúde e segurança pública de São Paulo por não usarem máscara durante o passeio.

Cada um deles foi multado em R$ 552,71 por desrespeito a um decreto estadual que obriga o uso da máscara para prevenir a propagação do coronavírus.

Segundo o governo do estado, os três receberam um auto de infração aplicando a multa e apontando a "necessidade da manutenção das medidas preventivas já conhecidas e preconizadas pelas autoridades sanitárias internacionais, como uso de máscara e distanciamento social".

Além de Tarcísio, os ministros Marcos Pontes e Ricardo Salles participaram do passeio.

Placas
A maioria das motos, assim como a comitiva de Bolsonaro, estava com a placa coberta, para evitar a identificação.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, por meio de sua assessoria de imprensa, as regras do Código de Trânsito Brasileiro só valem para vias abertas para circulação.

Para o especialista Luiz Célio Bottura, engenheiro e consultor de trânsito, o CTB se aplica ao passeio de motos de Bolsonaro, mesmo as ruas estando bloqueadas para interferência externa. O CTB afirma que todas as placas devem possuir caracteres identificadores, dando a prerrogativa, a algumas autoridades, de usar cores diferenciadas de identificação.

A lei também determina que todos os veículos devem possuir placas identificadores quando transitarem em vias abertas. No caso do passeio, as vias foram cercadas pela PM. Mas Bottura afirma que, mesmo assim, o CTB se aplica no caso em concreto. Segundo o especialista, "não existe forma de bloquear a legislação".

"A via está bloqueada parcialmente ao trânsito, mas há trânsito na via, só que diferenciado", afirmou. Segundo ele, as placas cobertas da comitiva de Bolsonaro são uma irregularidade mesmo com as vias bloqueadas e o presidente deveria ser autuado.

O Código Penal prevê como crime, sujeito a até 6 anos de prisão e multa, adulterar identificação de um veículo, como as placas. A incidência da lei inclui cobrir a identificação de placas de carros e motos.

Capacete
Assim como no passeio de moto que realizou no Rio de Janeiro em maio, Bolsonaro utilizava um capacete recomendado para a prática de skate e não o determinado pelas autoridades para o uso de moto, segundo a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nº 453, de 2013. Pela resolução, o capacete para motociclistas deve possuir viseira de proteção e seguir normas técnicas de espessura e outras características que o diferem dos capacetes de skate.

Aglomeração

No início da tarde, na chegada ao obelisco do Ibirapuera, Bolsonaro provocou aglomeração. Ele e Eduardo Bolsonaro caminharam pelas ruas da região do parque sem máscara ao som da música da vitória do piloto Ayrton Senna. Depois, o presidente subiu no trio elétrico e todas as pessoas que discursaram estavam sem máscaras.

Também na região do Ibirapuera, foram exibidas faixas pedindo intervenção militar, o que é inconstitucional e antidemocrático.

 
Fonte: Redação JIA
 
 
Ex-vice-presidente da República Marco Maciel morre aos 80 anos, em Brasília 12/06/2021
 
 
 
Ex-vice-presidente da República Marco Maciel morre aos 80 anos, em Brasília
Político exerceu cargo de 1995 a 2003; ele também atuou como deputado, senador e governador de Pernambuco. Ele faleceu neste sábado (12) em decorrência de infecção respiratória.

Morreu, na madrugada deste sábado (12), o ex-vice-presidente da República Marco Maciel. Ele estava internado em um hospital particular do Distrito Federal desde o dia 30 de março e, segundo os médicos, faleceu em decorrência de um "quadro infeccioso respiratório".

O velório, fechado para parentes e amigos, será na tarde deste sábado, no Senado Federal. O sepultamento está previsto para o fim do dia, no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Marco Maciel: veja repercussão da morte do ex-vice-presidente
Antes de se tornar político, Maciel atuou como advogado. Depois, foi eleito para os cargos de deputado, senador e governador de Pernambuco. Ele exerceu o mandato de vice-presidente durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2003.

Em 2014, Maciel foi diagnosticado com mal de Alzheimer – doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes.


Nas redes sociais, o partido Democratas divulgou nota em que a sigla "se despede, já com o coração saudoso", de um dos seus fundadores. O comunicado é assinado pelo presidente do DEM, ACM Neto.

"Marco Maciel foi um dos mais importantes quadros do nosso partido. Com sua exemplar atuação na vida pública, escreveu uma história irretocável de dedicação ao nosso país."
Recuperado da Covid-19
No início de março, Marco Maciel foi diagnosticado com Covid-19 e, à época, deu entrada em um hospital particular de Brasília para realização de exames, que constataram a doença.

Na ocasião, a esposa do político, Ana Maria Maciel, informou que ele estava sendo tratado em casa, com orientação médica, e se recuperou da infecção. Em maio, Maciel recebeu a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

Trajetória
Marco Maciel nasceu em Recife, em 1940. De líder estudantil, ele chegou ao cargo de vice-presidente da República, em 1995.

O político ganhou sua primeira eleição como deputado estadual ainda na década de 1960 e, na eleição seguinte, em 1970, Maciel foi eleito deputado federal. Em 1976 foi eleito presidente da Câmara dos Deputados.

Na gestão Geisel, Marco Maciel foi escolhido para assumir o governo de Pernambuco e, à época, criou um projeto de combate à seca e deu prioridade ao Porto de Suape, iniciado no governo de Eraldo Gueiros. Foi no governo de Maciel que um navio atracou no porto pela primeira vez.

Na política, Maciel participou das articulações que criaram o PDS, em substituição ao Arena. Com a volta das eleições diretas para governador, em 1982, ele indicou o vice, Roberto Magalhães, para disputar o governo e se candidatou ao Senado.

Eleito, no Congresso Nacional, Maciel ganhou mais destaque como articulador político e, em 1984, se tornou peça-chave na criação de uma aliança com os oposicionistas ao regime militar. À época, o senador pernambucano estava cotado para ser o vice de Tancredo Neves, mas o senador José Sarney terminou sendo o escolhido.

Em 1994, Marco Maciel foi indicado vice-presidente na chapa do então candidato Fernando Henrique Cardoso, onde ocupou o cargo até 2002. Em 2003, o político foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro.

Em 2010, quando já tentava o quarto mandato de senador, sofreu sua primeira derrota nas eleições de Pernambuco, disputando, assim, sua última eleição.
 
Fonte: Redação JIA
 
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